Hoje foi um dia pesaaaado! Acordei e fui direto pra reunião sobre meu projeto. Foi num orfanato aqui em Bratislava, mas não o que eu vou trabalhar, um outro. A diretora não falava inglês, então Nad'a teve que ficar traduzindo tudo pra mim. Mas tranquilo, a Mrs Béata (nome da mulher, haha), é muito simpática.
Depois da reunião ela ofereceu um copo d'água e eu aceitei. Bebi e deixei o copo na mesinha. Daí a desastrada aqui (certo, Vanessa, Juliana e Isolda?), quando vai se levantar pra vestir o casaco, derruba o copo no chão, partindo-o em mil pedacinhos. Fiquei totalmente sem graça, mas Nad'a e Jacob (o outro menino da AIESEC que estava conosco), disseram que não era nada. E aí Jacob me falou uma coisa muito engraçada: "Você sabe o que significa quando alguém quebra um copo de vidro? Significa boa sorte!". E aí eles começaram a dizer pra eu jogar na loteria, mas pra mim essa "sorte" - superstição, que seja - significou um começo de pé direito.
Hm, será mesmo? Eu decidi ficar o resto do dia conhecendo o orfanato em que estava. Embora não seja o em que vou trabalhar, eu queria já começar a ver como eles trabalhavam e tal. E daí que eu fui lá pra parte de onde eles moravam, e já de cara me surpreendi. Eu imaginava uma casa grande, uns quartos como alojamentos, salas grandes, esse tipo de coisa. Mas não: era praticamente um apartamento, com cozinha, sala , quartos, enfim, normal. E mais surpresa ainda, eram 11 adolescentes e: eles não são órfãos. Ou pelo menos como eu imaginava que fossem.
A Magda (Mayda, não sei escrever o nome dela) me explicou muita coisa, e posso dizer que hoje foi um dia em que aprendi bastante. A questão dos órfãos é que na verdade todos eles têm família, mas os pais não tem condições de criá-los, então o governo assume. São geralmente famílias pobres com pouca educação e conscientização que, como temos aos montes no Brasil, acabam tendo muitos filhos sem condições de mantê-los. Daí as crianças vivem no orfanato e veem a família ocasionalmente. Uns tem contato mais próximo, tipo semanal, já outros só uma vez por mês e outros nem isso...
Dá pra imaginar o que essa realidade pode acarretar pra vida das crianças, né? E isso somado ao fato de todos lá serem adolescentes, o que já um bicho chato por natureza. Eles tendem a ser mais tímidos, ou mesmo mais fechados e desinteressados em qualquer atividade ou assunto. E detalhe: não falavam inglês, o que tornava a barreira ainda maior. Os mais novos de lá, de 12 ou 13 anos, ainda se aproximavam mais, mas os outros ficavam muito distantes.
Bom, enquanto eu conversava com a Magda, sempre vinha alguém em eslovaco pra pedir algo, perguntar algo pra ela, enfim ela é a responsável por lá, né? haha. Daí um dos meninos de 12 anos veio até ela pra pedir pra que abrisse a porta da casa pra que ele saísse. Ela disse pra ele ir arrumar o quarto primeiro. Claro que na hora eu não entendi nada, ela me explicou depois. E eu perguntei a ela porque ele queria sair. E ela falou: "Ele quer sair pra fumar".
Choque. Essa foi a palavra pra descrever o que senti. Uma criança de 12 anos, carinha de criança mesmo, querendo sair pra fumar. Pode parecer simples, mas não pra mim, não pro meu mundinho de estudante universitária classe média de Recife. E eles permitem que os meninos fumem, até porque não é efetivo ficar proibindo. Eles podem fumar escondido e coisas do tipo. Em vez disso, tentam explicar sobre o assunto e conscientizá-los de que não é um bom hábito.
Continuando o dia, resolvi montar uma apresentação sobre o Brasil. Fiz lá um ppt sobre Recife, carnaval, praias, comidas, língua portuguesa, etc. Fomos pra sala apresentar, eu falando e Magda traduzindo. Eles não se comportaram tanto, algumas reclamações da Magda em eslovaco, e a apresentação até correu bem. Os mais novos perguntaram um monte, alguns dos mais velhos ficaram loucos na hora que falei em futebol. Enfim, acabou que foi bom pra mostrar um pouco da nossa cultura :)
No fim a Magda me agradeceu um monte, disse que foi ótimo ter falado um pouco pra eles sobre um país tão diferente do deles. E eu quase choro né, porque eu que tinha que agradecer a ela, por tudo que eu aprendi hoje.
Ah, só animando esse relato agora. Antes disso, quando eu terminei a apresentação, eu pedi pra que Mrs Béata ligasse pra Nad'a pra que ela fosse me buscar. E aí a Béata (hehe, isso é muito engraçado) ligou e disse pra eu ir almoçar enquanto esperava. MINHA GENTE, eu não comentei ainda, mas eu estou sofrendo com a comida daqui. Muito ruim, os eslovacos que me perdoem. E eis que me botam pra sentar na mesa sozinha pra almoçar. Um prato com uma sopa de verdura BIZARRA, só parecia a canja raquítica da minha vó. Tive que tomar tudo pra não parecer desfeita pra cozinheira, que vinha de instante em instante pra olhar se eu estava gostando. E não para por aí. Depois da sopa, um prato de arroz com galinha ao molho. Ao molho dos infernos. Eu tava comendo e "enguiando" (não há palavra melhor, sério), pedindo a Deus pra que Nad'a chegasse logo pra me tirar daquela situação. E ela chegou já no ápice, quando eu estava achando que ia vomitar. Aí ela veio com Armando, primeira coisa que eu fiz foi falar pra Armando que estava ali morrendo. Aí eu perguntei pra Nad'a se era muito feio deixar comida no prato porque eu estava "cheia" (aham, cláudia. eu estava cheia mesmo, mas se a comida fosse boa eu comeria). Aí ela disse que não, que tudo bem se eu não aguentasse mais. Mas mesmo assim fiquei preocupada. Minha sorte: nesse momento a cozinheira fala com Nad'a e vai embora da casa!!!!! Nad'a fala que estava na hora dela ir embora, tinha acabado o horário de trabalho. Eu não tive demora: peguei meu prato, joguei todo o resto no lixo e lavei a prova do crime. UFA!
Do orfanato fomos pra um shopping próximo, encontrar com Kika, Maria e o menino de Hong Kong que havia chegado. Bem quietinho e calado, como um típico asiático. Mas enfim, parece gente boa. Depois Kika teve que voltar pra casa pra uma entrevista, e eu e os outros trainees resolvemos ficar pelo centro passeando e tirando fotos randomicamente ;) Frio danado, Armando fazendo o guia (só porque conhece a cidade há uma semana e pouco), a russa meio sem paciência, o asiático quieto e tirando algumas fotos com sua câmera super tecnológica, e a doida aqui rindo e falando besteira pra ver se animava. E até que nos divertimos bastante, até bater a fome!!
De lá fomos pro Slovak Pub encontrar com Nad'a. Mais tarde Soojit, um dos indianos, apareceu também. Mas eu e Armando estávamos cansados dessa comida eslovaca bizarra, e fomos comer pizza (uma pizza super barata) do outro lado da rua. Depois fomos comprar chips de celular pra russa e pro hongkongiano (whatever) num supermercado, e eu que não sou mais besta, aproveitei e comprei umas comidas pra sobreviver caso a comida no meu orfanato também seja ruim.
Então, amanhã é o grande dia. Vou pro orfanato em que vou trabalhar nas próximas seis semanas, só que o meu é com crianças mais novas. E não é em Bratislava, é numa cidade próxima. Preciso ainda saber como faço pra pegar ônibus pra vir pra cá nos horários livres! Mas ok, eu me viro.
Agora preciso dormir porque são 3am e preciso acordar cedo. Só que não podia ficar sem esse post, certo?
Ainda faltou postar a foto do meu caderninho com minha aula de eslovaco hoje no slovak pub. Anotei tudo o que já aprendi! Estou arrasando já, hehehehe. Amanhã eu posto!
Beijos e Ďakujem a quem tem lido meus posts :)
Vai postando, Thaís!! Esse blog tá randomicamente massa!!! :D
ResponderExcluir"Daí a desastrada aqui (certo, Vanessa, Juliana e Isolda?), quando vai se levantar pra vestir o casaco, derruba o copo no chão, partindo-o em mil pedacinhos."
ResponderExcluirEu ri pouco! kkk
Boa sorte amanhã/hoje, sei lá q horas são aí!
Por sinal, qual a diferença no horario?
Você tá ahasando muito! =D
ResponderExcluirE suas crianças vão te adorar! =D
É só eles te conhecerem, você vai ver!
Beijo e boa sorte nessa nova etapa!!! =DDD
Tô para conhecer pessoa mais desastrada do que você! hahaha mas te amo mesmo assim!
ResponderExcluirQue lindo amiga, que bom que está dando tudo certo (com exceção da comida. hahaha)
saudades. ;*
Eu to passando mal com teus posts! São muuuito bons! hahahaahha :*
ResponderExcluirBeeeest, estou amando seus posts!
ResponderExcluirIsso me lembrou quando a gente foi tentar fazer trabalho naquela creche! QUE LIIIIIIINDO!
Cuide bem de seus filhinhos adotivos, eu não os conheço, mas sei exatamente que sentimento é esse que tu sentiu (lembro da gente olhando para aquelas crianças e querendo levar eles pra casa)! E lembro também perfeitamente dos pré-adolescentes e adolescentes quando nos olhavam... mas vai dar tudo certo!
Quero mais notícias logo.
Beeijos e se cuida!